
Textos base para discussão:
http://www.ivla.org/org_what_vis_lit.htm#definition
http://www.learnnc.org/lp/pages/675
http://bodmas.org/blog/ilt-ideas/visual-literacyorg/index.html
http://consiliari.com/?paged=2
http://www.visual-literacy.org/periodic_table/periodic_table.html
Olá a todos!
O que me chamou mais atenção, nos textos e blogs sugeridos pela Reinildes, foi a atenção dada pelos autores com relação ao pensamento crítico.
No texto Reading images: an introduction to visual literacy, os autores afirmam que o letramento visual auxilia os alunos a adquirirem um pensamento crítico com relação às diversas matérias escolares, no seu dia a dia, e a na Web. Para eles com a prática em sala de aula do letramento visual, os alunos conseguirão fazer mais sentido, entender melhor, e tirar mais proveito dos recursos da Web.
No blog sobre o visual-literacy.org, o autor diz que o ensino com imagens obriga o aluno a pensar de forma diferente. O que eu acredito ser muito valido! Como já foi dito algumas vezes, os alunos são apresentados as mensagens visuais desde muito pequenos, mas com o passar dos anos escolares o visual vai deixando espaço para a predominância do verbal. Com o letramento visual o aluno tem a oportunidade de pensar de diferentes formas sobre uma mesma mensagem. O visual instiga a criatividade, o pensar por si próprio, com sua individualidade.
No blog Creategist o autor inicia o texto pensando numa forma de ensinar, passar uma idéia, de forma simples e com impacto. Para isso ele faz uso das imagens. Segundo ele, assim como no blog citado acima, com as imagens é possível que pensemos de outras formas. Ele afirma que o mundo atual exige que tenhamos respostas criativas, vendo os diferentes lados da situação em que nos encontramos. As imagens servem, portanto, como um treinamento mental para que os alunos sejam capazes de atingir esse pensamento crítico e criativo perante o mundo. Para o autor, ao gráficos podem ser ainda mais poderosos que palavras: “Graphics can be more powerful than words to reframe the way we see things…. and to provoke our imaginations”.
Assim como afirmam os autores citados, acredito que o letramento visual possui a característica de propiciar ao aluno oportunidades de aperfeiçoarem o seu julgamento do mundo, assim como seu pensamento crítico. Uma imagem é capaz de significar infinitas mensagens, cada uma interpretada por um individuo especifico, de uma comunidade lingüística especifica. As imagens conseguem fazer o aluno mergulhar em um mundo diferente do verbal. Nesse mundo ele é convidado a pensar, analisar, julgar e interagir com o que vê.
Talvez esteja idealizando um pouco o letramento visual. Mas acredito que com a dedicação dos professores, e com o vasto leque de gêneros possíveis a serem trabalhados, os alunos podem se animar ainda mais com o ensino, seja de primeira ou segunda língua, e ainda desenvolverem um pensamento crítico, que o ajudara em qualquer carreia futura.
O que vocês acham sobre isso? Podemos discutir bastante sobre esse assunto!
Abraços!
Marceli
Comentários dos colegas:
Deize Costa Cardozo:
Acho que você está no caminho certo. O pensamento crítico tem sido cada vez mais exigido tanto na leitura linear quanto na compreensão das imagens. Assim como no texto escrito, em que o leitor precisa desenvolver o letramento crítico afim de usar seu poder para construir o significado do texto, refletindo sobre o que está além da informação explícita, a imagem também precisa ser analisada cuidadosamente e criticamente com os mesmos objetivos do texto escrito: compreender questões como qual foi o motivo que levou um autor a escrever/desenhar sobre determinado assunto, sobre qual perspectiva ele o fez, porque ele incluiu algumas idéias e excluiu outras, entre outras. Objetivo de desenvolver o pensamento crítico, seja no texto escrito ou na imagem é de levar o sujeito a perceber os pressupostos ideológicos que subscrevem tais formas de comunicação, analisando a forma como eles criam e preservam determinados interesses sociais, econômicos e políticos. Não podemos esquecer que textos e imagens são produtos de forças ideológicas e políticas de quem os criou e precisam ser submetidos a métodos de crítica social.
Abraços
Valéria Augusta Rocha de Assis Santos:
Olá colegas!
O que também me chamou a atenção no blog Crategist, foi exatamente o que a Marceli comentou - Imagens podem ser mais impactantes que palavras e podem trazer um novo sentido ao que vemos. Através do ensino visando o letramento visual, pode-se estimular a imaginação e formar alunos que percebam os diferentes enfoques e possíveis ângulos de interpretação dos recursos visuais.
Já no texto “Reading images: an introduction to visual literacy”, os autores definem o letramento visual como a habilidade de ver, entender, pensar, criar e comunicar através de recursos imagéticos. Dessa forma, o leitor visualmente letrado é capaz de captar as intenções do designer da imagem, contextualiza tais intenções e pode ter uma postura mais crítica em relação à sua validade.
Interessante o destaque dado aos níveis de letramento visual. Como no letramento, em que o leitor passa por um primeiro nível de competência e aprende a decodificar as palavras e sentenças, no letramento visual o leitor também deve inicialmente trabalhar a percepção básica dos elementos gráficos. Assim, primeiramente desenvolve a capacidade de identificar detalhes na imagem para posteriormente compreender as relações visuais e atingir um nível de letramento visual que envolva o pensamento crítico.
Como nossos colegas já salientaram, é importante que nós professores motivemos e criemos oportunidades para o letramento visual para que os alunos reflitam e construam significado compreendendo as relações visuais e a integração do verbal e visual. E também, como a Deize destacou, visar desenvolver o pensamento crítico para que os alunos sejam mais conscientes das intenções que subscrevem o texto escrito e imagem.
e-hugs
Valéria
Ana Claudia Oliveira Silva:
Unicamp - Vestibular Nacional 1997 - Provas da 2a. Fase - InglêsValéria e todos,
Você faz uma afirmação importante "em nosso papel de professor precisamos motivar e criar oportunidades para o letramento digital". Ao ler a literatura sobre "letramento digital" tenho feito boas reflexões sobre o meu nível de competência de leitura visual e contrasto com os dos meus alunos. Também observo que já faz mais de dez anos que as provas de leitura em língua inglesa dos vestibulares das universidades brasileiras incluem em suas questões leituras visuais. Para ilustrar o que estou falando, copio uma questão de um vestibular de 1997 de uma de nossas i.e.s.. O que vocês acham dessa questão? Infelizmente, devido ao ano do vestibular não achei na internet o comentário das respostas dos alunos. Isto seria muito interessante para nós agora. Será que os nossos alunos já se tornaram leitores visuais mais maduros?
Leia o texto abaixo e responda à questão 1:

1. Por que Jane está nessa posição?
Vinicius Rodrigues Figueiredo Santos:
Como já sabemos, letramento está relacionado às habilidades de leitura e escrita, também se referindo à leitura de signos diferentes de palavras.
Existem diversas definições do que é letramento visual, variando de acordo com cada autor (What is “Visual Literacy?”). Debes (1969), no entanto, define como um grupo de competências visuais que alguém pode desenvolver através da visão, ao mesmo tempo que integra com outras experiências sensoriais. Podemos dizer que o letramento visual está relacionado ao desenvolvimento de habilidades para a identificação visual e, em um nível mais complexo, a compreensão e relações de sentido entre imagens, vídeos, e outros elementos visuais. (Reading images: an introduction to visual literacy).
Com base nesses conceitos de letramento visual, podemos notar que as páginas e blogs desenvolvem o tema de letramento visual de diversas maneiras. Achei interessante a tabela periódica dos métodos de visualização, principalmente por trazer elementos que podem traduzir visualmente diversos conceitos (muitos inéditos para mim, como o Argument Slide e Dilemma Diagram).
As imagens podem ser vistas como tendo uma espécie de sintaxe própria (sintaxe de gramática visual de Kress e van Leeuwen (1996)) e estabelecendo pontes e relações de sentido com pessoas, lugares, situações ou objetos retratados, num processo de negociação entre a imagem e aquele que a vê (http://www.giseldacosta.com.br/public/2024496-LETRAMENTO-VISUAL-WEB-AO-CELULAR.pdf) . Costa ainda diz que não existe nenhum tipo de movimento no sentido de uma “alfabetização” visual ou qualquer movimento no sentido de se promover letramento visual formal, consequentemente, temos legiões de iletrados visuais, já que a comuicação está formalmente atrelada ao verbal.
O mais curioso é que, apesar de estarmos superexpostos a imagens, vídeos e outros objetos visuais multimodais, temos que estabelecer as relações de sentido de maneira instintiva, ao invés de termos uma educação formal neste sentido, assim como acontece no nosso processo de letramento formal. Se os estudantes do presente mal conseguem estabelecer relações de sentido por meio de textos verbais escritos, para os quais supostamente receberam educação para tal, não podemos esperar que eles sejam capazes de interagir eficientemente com textos multimodais que dependem de objetos verbais e visuais.
Agora que estamos em um momento onde a multimodalidade tem ganhado tanta importância, considerando o estabelecimento da internet, TV, celulares e outros no nosso dia-a-dia, será que é chegado o momento de estabelecermos uma política de letramento visual nas escolas? Se sim, quais seriam as nossas alternativas para tanto?
O que vocês acham? Por favor contribuam com opiniões para nosso blog =0)
Marceli
Particularmente, acredito que é um grande avanço considerar aspectos visuais no processo de letramento, já que as regiões cerebrais envolvidas no processamento visual são muito maiores que as áreas envolvidas no processamento auditivo e verbal. Em outras palavras, quero dizer que o homo sapiens sapiens é um animal predominantemente viso-espacial.
ResponderExcluirPara exemplificar essa discrepância entre visão e audição (verbal), basta perguntar as pessoas se elas prefeririam ser absolutamente cegas ou absolutamente surdas. Certamente, a maioria prefeririam ser absolutamenet surdas, já que a viso-construção é o nosso "ponto mais forte". Portanto, enfatizar a viso-construção no processo de aprendizagem é, na minha humilde opinião, "nadar a favor da própria correnteza"; é saber usar aquilo que já temos.
Se nós não tivessemos nascido no corpo de um macaco (um homo sapien sapiens) mas ao invés disso no corpo de um rato, teriamos que enfatizar o olfato; os ratos aprendem e se orientam muito mais pelo olfato do que pela viso-construção. A região cerebral do rato que processa os estímulos olfativos são enormes, enquanto no homem são bem pequenas.
Porém, apesar da predominância visual e espacial do homo sapiens sapiens, acredito que a apredizagem deve envolver o emparelhamento de todos os sentidos: visual, auditivo, olfativo, tátil, sinestésico, cinestésico, proprioceptivo etc, além de emoções e sentimentos. Certamente você deve se lembrar, com muitos detalhes, do Atentado de 11 de Setembro. Onde você estava quando recebeu a noticia? Com quem estava? O que as pessoas te disseram? O que você disse? Enfim... Isso que é aprendizagem...
Olá!
ResponderExcluirAchei muito interessante a sua visão sobre a nossa discussão. Na verdade não chegamos a abordar, como você, sobre as regiões do cérebro humano relacionadas a aprendizagem.
Esse foi o principal incentivo em abrir o blog para outras pessoas, de outros conhecimentos e áreas, possam colaborar com as discussões e juntos possamos pensam em soluções práticas e criativas para o ensino.
O ensino, como você mesmo afirmou, é mais eficiente quando engloba todos os nossos sentidos; o visual, auditivo, olfativo, tátil, sinestésico, sinestésico, proprioceptivo, como as emoções e sentimentos. Quando nos identificamos com algo, quando percebemos todas as suas dimensões, ou até mesmo quando temos prazer em aprender o que foi ensinado, assimilamos esse conteúdo de forma mais ativa e efetiva.
(Como o ótimo exemplo que você forneceu sobre o atentado, que não é bem um ensinamento, mas quem viveu esse dia nunca vai esquecer, e vai assimilar esse fato com pessoas, cheiros, sentimentos, enfim, sentidos particulares e essenciais que vão sempre permear esse incidente).
Acredito que o letramento visual é capaz de trabalhar com todos os sentidos do aluno, se estimulado de forma correta e criativa, mas, além disso, abordar um conhecimento interessante para um determinado grupo. Portanto o professor deve ser capaz de identificar o que é interessante para um determinado grupo e aplicar atividades. Como o exemplo que coloquei da charge. Nela podemos analisar o uso da língua portuguesa, fatos políticos e mundiais, as figuras, os sentimentos e opiniões dos alunos sobre essa mensagem, enfim, podemos ir longe com atividades assim!
Claro que se trata de um desafio diário para o professor! Mas estamos aqui pra isso, para conversamos sobre ensino e aprendizagem e, dar ajudas e opiniões!